O Banco do Brasil financiará as exportações por meio da emissão de cartas de crédito para oferecer a garantia de que nas relações comerciais haverá dois países, Argentina de um lado e Brasil do outro, garantindo créditos recíprocos.”
Fernando Haddad, ministro de economía de Brasil
Argentina e Brasil anunciaram um mecanismo de financiamento comercial bilateral para garantir o fluxo entre os dois países, com créditos para importar do país vizinho que podem agilizar os pedidos no Sistema de Importação da República Argentina (SIRA).
Foram os ministros da Economia da Argentina e do Brasil, Sergio Massa e Fernando Haddad, que detalharam a implementação dessa linha de financiamento de importação de 366 dias entre o Banco de la Nación Argentina e o Banco do Brasil. Massa admitiu que isso vai gerar um aumento no volume das exportações do Brasil para a Argentina.
Haddad explicou que o Brasil vê a Argentina como um parceiro com seus pontos fortes, mas a falta de divisas é um dos pontos fracos. A esse respeito, explicou que essa fragilidade faz com que a Argentina tenha que administrar divisas e reduzir as importações do Brasil, principalmente de manufaturados. Por isso, ele explicou o interesse brasileiro na implementação desse mecanismo de garantia recíproca que permitirá ao Brasil continuar vendendo para a Argentina a prazo.
A notícia gerou reações mistas no setor, entre os que esperam que a medida acelere a entrada de insumos no SIRA e as empresas que acenderam o sinal amarelo sob o risco de uma “invasão” dos produtos brasileiros.
Massa enfatizou que “as empresas locais poderão aumentar o ritmo de oferta nas cadeias de valor” ao mesmo tempo em que descomprime – ao estender para mais de um ano, 366 dias – “o peso das importações nas reservas do Banco Central ( BCRA)”.
“É algo que está começando a ser usado cada vez mais no mundo, como na Arábia Saudita para o comércio de petróleo, não é usar o dólar como moeda de troca e comércio bilateral. O que eu buscaria é uma melhoria em relação ao que foi implementado em 2008”, explicou o diretor da Abeceb, Gustavo Perego.
“As cartas de crédito seriam aplicadas e as moedas locais seriam usadas para compras de mercadorias de um lado e do outro. Também os serviços, que é uma novidade”, explicou o economista. A medida visa “aquecer muito mais o comércio bilateral, que é muito importante para cadeias como a automobilística, hoje altamente integrada ao Mercosul e com um gargalo significativo devido à a falta de dólares”, explicou Perego. Argentina e Brasil chegaram a um comércio bilateral de 40 bilhões de dólares em 2010 e caiu para metade disso.
Entre os que dispararam os alertas, está a Câmara Argentina da Indústria Óptica e Correlatas, que considerou que a linha de financiamento à importação entre o Banco Nación e o Banco do Brasil “poderia provocar a entrada de produtos acabados que afetam a indústria local”.
Chame no WhatsApp